quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Mensagem Rosh Hashaná - Claudio Lottenberg


Sephardic Selichot


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Escolha do Nome



Seu filho nasceu, que nome dará a ele? Isso faz diferença? De acordo com o Tanach sim .Leia (1 Samuel 25.25). Além do nome descrever a personalidade de uma pessoa em um nome também é profético. Segundo a tradição judaica,quando os pais escolhem um nome para os filhos, eles são guiados pela Inspiração Divina.
Os filhos de judeus recebem mais um nome além do secular. Duas tradições diferentes orientam os pais em sua decisão: ASHKENAZIM-judeus que vem da Europa Ocidental - proíbem que se dê a criança o nome de uma pessoa viva. Segundo eles é muito cedo para ligar a vida da criança à vida de uma pessoa cujo fim ainda é desconhecido, que pode se transformar em um ímpio ou ter uma morte trágica. Em vez disso ligam o recém -nascido com aquele que já faleceu, uma maneira de dizer que aquela pessoa que já faleceu permanece simbolicamente vivo na criança e sua lembrança não é esquecida.
Já os SEFARADIM - judeus vindos da Europa mediterrânea e do Oriente - dão aos seus filhos nomes de pessoas vivas que eles tem carinho e respeito. Se você ver um judeu conhecido como "Junior" ou "Filho", com certeza é sefaradi.
A lembrança do nome de uma pessoa após o seu falecimento, renova a vida de sua alma no outro mundo. O nome de uma pessoa é um condutor que conecta dois mundos ...os dos vivos e o dos mortos. Quando os mortos são enterrados no meio do seu povo...e seus nomes são lembrados através dele, e como se continuassem a participar da vida neste mundo.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Mazal Tov







Esta expressão em geral é traduzida como boa sorte. Mas mazal tov refere-se a uma constelação, dos signos do zodíaco. É uma maneira de falar para que os outros estejam ao seu favor.
Os judeus não acreditam que a astrologia determine o destino de uma pessoa, apesar disso pisos de mosaico de sinagogas retratam os signos do zodíaco, mas sim que os astros podem ter alguma influência.
Melhor não contrariar rsrs!!

sábado, 31 de maio de 2014

Duas Respostas Para a Mesma Pergunta



No meio da Parashá dessa semana, Nassó, HaShem ordena a benção dos Cohanim para o povo. Toda benção depende do recipiente. A benção da chuva, por exemplo, resulta em frutos suculentos num campo preparado para isso, mas pode resultar em lama num campo que não foi arado nem semeado.
Aqui está uma história que ilustra esse ponto:
Dois mercadores foram ao Rabino Avraham Yaacov, o Rebe de Sadigura, pedir-lhe conselho e benção para ter sucesso na Feira de Trigo que acontecia naquela época do ano nos seus países. Cada um entrou na sala do Rebe separadamente e pediram a benção cada um de seu jeito.
O primeiro pediu de forma simples, se valeria a pena investir no negócio de trigo ou não.
“Não invista em negócios de trigo nesse momento,” respondeu o Rebe.
O segundo homem não se satisfez com uma pergunta simples e entrou em detalhes sobre o investimento proposto e seu provável sucesso.
“Se é do jeito que o senhor está falando,” respondeu o Rebe, “que você seja abençoado e tenha sucesso!”
Cada um dos mercadores agiu de acordo com o conselho do Rebe. O primeiro evitou se envolver no comércio de trigo, enquanto que o segundo investiu seu dinheiro na compra de trigo. No entanto, seu negócio não prosperou e perdeu todo o seu capital investido.
Posteriormente, quando o segundo individuo teve oportunidade de ver seu Rebe novamente, ele derramou sua amargura, relatando sua grande perda financeira. “Por que o Rebe não me avisou para ficar fora do comércio de trigo, como foi o caso de meu amigo?”
“Vamos tentar entender as coisas como elas aconteceram de fato,” respondeu o Rebe de Sadigora, “seu amigo veio a mim com uma questão. Ele mesmo não sabia o que era o melhor para ele, e confiava inteiramente no meu conselho, não importasse qual fosse para seguir em frente ou desistir. Já que ele esperava a minha resposta, respondi no modo em que D’us inspirou-me a responder, com a primeira noção que me passou pela cabeça. O homem fez conforme lhe disse para fazer e, em mérito de sua fé, foi salvo de um desastre financeiro.
“Por outro lado, você,” continuou o Rebe, “tentou me explicar como o negócio funciona e os lucros tremendos que você esperava receber desse investimento, etc. Sem ser um mercador, eu pesei as informações que você me passou e fui forçado a lhe aconselhar de acordo com a sua própria informação.
“Afinal de contas, se eu fosse lhe aconselhar em contradição à minha compreensão lógica do que você tinha acabado de me contar, eu estaria me definindo como um Tsadik, cujo primeiro instinto deriva de Inspiração Divina. E como uma pessoa pode se auto-definir como uma pessoa sagrada?
“É somente quando uma pessoa acredita com fé completa num Tsadic e está convencida que suas ideias tem realmente inspiração Divina, que D’us lhe ajuda em mérito de sua fé, e dá ao Tsadic a resposta correta, mesmo que ele não saiba nada do mundo dos negócios.”

Fonte: http://www.pt.chabad.org/

domingo, 25 de maio de 2014

Tsedacá: Um conceito judaico




Desde a época do Templo Sagrado era visível para os judeus que levavam seus sacrifícios, que não importava qual fosse: um sacrifício representado por um animal de porte como um boi, uma ovelha, até uma certa quantidade de farinha (o que dependia da posse de cada um): todos eram aceitos e igualmente queridos por D’us. Assim, mesmo a mais ínfima doação de um pobre equivale para D’us como a maior doação de um rico.
Aprendemos de nosso patriarca Avraham o dom da generosidade. Assim como sua tenda possuia quatro aberturas que davam para as quatro direções do deserto afim de visualizar qualquer estrangeiro que passasse próximo ao seu caminho para convidá-lo a usufruir de sua hospitalidade, da mesma forma, devemos ser reconhecidos como seus legítimos descendentes: estender a mão para quem se encontra em nosso caminho e sempre procurar ajudar nosso semelhante.
Devemos sempre nos colocar em seu lugar, pois da mesma forma que nos dirigimos humildemente ao Criador em busca de bênçãos de saúde, alegrias materiais e espirituais, somos carentes: ocupamos a mesma posição daquele que se encontra diante de nós e pede para que estendamos nossa mão.
Devemos pensar que através das gerações poderemos também ter descendentes que um dia necessitarão talvez da ajuda de outros e portanto, nos sensibilizar que todos nós poderíamos estar em seu lugar. Devemos pensar que não nos encontramos em sua situação apenas pelo fato de que através de nossa ajuda possamos lhe fornecer mais conforto e dignidade, sendo justo com os bens que recebemos de D’us, para usá-lo da maneira que Ele espera que façamos.
Nossos bens é como um penhor que um dia deveremos devolver e restituir ao seu legítimo Dono.

Qual a origem da tsedacá?

A Torá declara no seguinte versículo:
"Se houver um carente entre seus irmãos, numa de suas cidades, na terra que D'us deu a vocês, não endureçam seus corações nem fechem a mão a seu irmão carente. Vocês definitivamente devem abrir suas mãos e lhe emprestar o suficiente para o que lhe faltar (Devarim 15:7,8)".
A palavra hebraica Tsedacá é erroneamente traduzida como 'caridade', mas a palavra correta que provém de tsêdek é "justiça". Ela difere da caridade pois esta é definida como "um ato de generosidade ou de auxílio a um pobre". A Tsedacá não é meramente um ato de caridade: toda vez que alguém proporciona satisfação a outros - mesmo aos ricos - com dinheiro, comida ou palavras reconfortantes, ele cumpre esta mitsvá!
Este é um dos 613 preceitos dados por D’us no Monte Sinai ao povo judeu.
D’us permitiu que existissem pobres e ricos para que os seres humanos exercecem bondade e justiça uns com os outros transformando seu livre arbítrio em ações positivas.

Fazer Justiça

Quando as pessoas dão tsedacá, podem sentir que estão fazendo sacrifício por doar parte de seu próprio dinheiro a outrem. Podem mesmo aborrecer-se com o receptor da tsedacá por tirar vantagens. A Torá nos diz que esta atitude é errada, advertindo: "Não dê de má vontade." A razão está no versículo de Provérbios que diz: "Não retenha o bem daquele a quem é devido, quando está em seu poder fazê-lo." Aquilo que damos aos necessitados rigorosamente pertence a eles, e a pessoa com meios é, na verdade, apenas o depositário da propriedade dos pobres.
Em Provérbios também encontramos: "Não roube dos pobres." Mas o que os pobres têm que possamos roubar deles? Este versículo refere-se à retenção da tsedacá, porque quando as pessoas o fazem, guardam para si mesmas o que por direito pertence aos pobres. Seria uma espécie de roubo.
Aqueles que recebem tsedacá não devem se sentir humilhados, e quem dá tsedacá não deve se sentir magnânimo. É simplesmente um ato de justiça, de distribuir o quê, por direito, pertence a cada pessoa.

Quanto devemos dar para tsedacá?

A Torá nos ordena dar um décimo de nossa renda líquida. É meritório dar 20% (Shulchán Aruch Yore Dea 249:1). Existem muitos exemplos na Torá onde nossos antepassados deram seu maasser (dízimo), como com Avraham (Bereshit 14:20) e Yaácov (Bereshit 29:22), bem como a mitsvá de darmos 10% de nossas entradas aos Leviim (membros da tribo de Levi) (Bamidbár 18: 21,24) e outros 10% aos pobres da localidade (Devarim 26:12).
O Gaon de Vilna (Lituânia, 1720-1797) explicou que o critério para darmos Tsedacá está indicado no versículo da Torá que já mencionamos acima, quando uma pessoa fecha sua mão, seus dedos parecem ficar todos com a mesma altura. Quando ela os abre, entretanto, percebe que cada dedo tem uma altura diferente. O mesmo se dá com a Tsedacá: Cada individuo carente tem necessidades diferentes e nossa obrigação com cada um varia conforme sua necessidade. O versículo 7 diz: "Não feche sua mão", ou seja, não dê a mesma quantia a todos os que lhe pedirem". O versículo 8 continua: "Vocês definitivamente devem abrir suas mãos", significando: 'Perceba que cada pessoa é diferente da outra e contribua conforme o caso'."

Como separamos o maasser?

Muitas vezes é difícil para as pessoas se separarem de seu dinheiro. No primeiro parágrafo da oração 'Shemá Israel' está escrito: "Você deve amar seu D'us com todo seu coração, toda sua alma e todas suas posses".
Os Sábios do Talmud perguntam: "Por que está escrito 'Todas suas posses'?
A resposta:
Para algumas pessoas é mais difícil separar-se de seu dinheiro que se separar da própria vida. Um exagero? Nem tanto. Há uma menção sobre nossa conquista da liberdade após a escravidão no Egito, em Pêssach. Do que isto nos vale hoje em dia? Como este fato tão remoto pode ser aplicado como lição em nossos dias? Pelo fato de que muitos de nós hoje é ou se torna escravo de seus bens materiais, ambições e conquistas.
Devemos nos lembrar que não podemos permanecer escravos da matéria e sim buscar nosso aprimoramento espiritual. Doar e dividir, somar e multiplicar com outros faz parte deste processo, desta ascenção humana e de nossa meta de vida.

Principais pontos

A quantia a ser doada é um assunto bastante extenso que procuraremos reduzir a algumas idéias principais, sempre tendo em mente que em caso de dúvidas ou sobre a forma mais propícia e correta de proceder, um rabino bem versado na halachá, lei judaica, deverá ser consultado. A subsistência de uma pessoa deve preceder a subsistência de seu próximo. Ela só deverá doar aquilo que excede seus ganhos após ter usado o necessário para sua casa e seu próprio sustento.
A pessoa no primeiro ano de seu prolabore deve destinar 1/10 do valor bruto para tsedacá. Nos demais anos (ou meses, como ela queira se programar) deverá dar 1/10 de seu lucro líquido, para cumprir o preceito. Se ela desejar aprimorar esta ação, o ideal será ela destinar 1/5 de seu ganho, se este valor estiver dentro de sua capacidade. Sobre o dízimo a Torá diz que devemos separar 10% no mínimo (há quem separe 20%) de seus ganhos para tsedacá, justiça (caridade). No entanto, a quantia de 20% não deverá ser pensada se isto significar que a pessoa terá que pedir ajuda a outras e depender de caridade, ela própria. Os dez por cento de tsedacá (caridade) deve ser contabilizado da renda bruta, descontando apenas os impostos.
Este conceito, de a pessoa ser um sócio de D’us, tem ramificações diretas em quais despesas podem ser deduzidas de nossa renda antes de separar Maaser. O dinheiro gasto por uma pessoa para possibilitar que ganhe seu dinheiro pode ser deduzido desta renda antes de separar maaser, mesmo se este foi usado sem sucesso para este fim.
Quando se trata de deduzir despesas, por exemplo, a pessoa pode deduzir quaisquer despesas ou perdas que ocorram em seu negócio, pois há uma responsabilidade mútua (entre os negócios e o maaser). Quaisquer despesas ou perdas que não forem com o objetivo de produzir mais renda são consideradas como a renda particular da pessoa, e o maaser deve ser separado destes fundos.
Qualquer perda financeira causada por roubo, perda ou equipamento quebrado também pode ser deduzida, desde que não seja devido à negligência por parte do sócio. Os empregados podem deduzir de sua renda quaisquer impostos e despesas com creche que sejam necessárias para permitir que eles tenham um emprego; custos do transporte para o trabalho, bem como quaisquer cursos que os ajudem a trabalhar adequadamente.
Portanto, é desnecessário dizer que as despesas que alguém faz para suas próprias necessidades não devem ser deduzidas da renda bruta. Quanto a mensalidades escolares, se alguém não pode pagar na íntegra (para o estudo de Torá), e teria de solicitar uma bolsa, ele poderia deduzir esta despesa adicional do maaser.
Um método fácil para aqueles que recebem seu salário já deduzido de impostos é tirar 10% do valor e depositá-lo para alguma instituição realmente merecedora (Aconselhe-se bem antes de entregar o dinheiro. Lembre-se: Tsedacá é um 'negócio' espiritual. Da mesma forma que você não investiria seu dinheiro numa empresa ''picareta" ou já falida, não dê Tsedacá antes de assegurar-se onde irão aplicar seu dinheiro). Isto torna sua contabilidade honesta e transparente, tornando mais fácil cumprir esta mitsvá. Aqueles que têm empresas (onde sua conta corrente e a da empresa se confundem) ou vivem de outros investimentos, devem fazer um balanço semestral e separar o dizimo do quanto lucrou.
A Tsedacá deve ser dada com prazer e com um semblante agradável. Se um pobre lhe pede dinheiro e você não esta apto a ajudá-lo agora, não levante a voz ou aja desagradavelmente. Solidarize-se com ele e, calmamente, expresse que gostaria de ajudá-lo, mas que neste instante não tem condições de fazê-lo. É louvável dar algo a uma pessoa pobre que pede um donativo, mesmo que seja uma pequena quantia.
A recompensa por praticar a Tsedacá é enorme!
Em Yom Kipur recitamos que "Três coisas revogam um Mau Decreto dos Céus -- Teshuvá (retornar ao caminho da Torá), Tefilá (orações) e Tsedacá (atos de justiça, de correção)". Acima de tudo, não dê com cara amarrada ou se arrependa de atos de Tsedacá (ou de qualquer outra Mitsvá) que tenha feito -- você perderá o mérito do ato! Mas não pratique o ato pela recompensa, pois conforme o ensinamento de nossos sábios "a verdadeira recompensa pelo cumprimento de uma mitsvá, é a própria mitsvá"
Tudo o que possuímos é um empréstimo de D'us. Na realidade, tanto a colheita, como a renda monetária de cada indivíduo é um presente Divino. A Torá não quer que nos esqueçamos disto. Por isso, instituiu que um décimo da colheita, ou da renda, fosse doada. Este é um lembrete de que na realidade nenhum bem material é nossa propriedade eterna, e temos de usar o que temos agora para o bem.
Existem muitas mitsvót englobadas dentro da mitsvá de Tsedacá, que por sua vez está englobada dentro do mandamento mais amplo de imitarmos as características do Todo-Poderoso: Da mesma forma que D'us cuida de nós, devemos nos esforçar para ajudar o restante da humanidade.

O Rambam

O Rambam, Maimônides (1135-1204), um dos grandes codificadores das Lei Judaica, estabeleceu uma hierarquia de 8 pontos para esta mitsvá:
1) Dar um presente, emprestar dinheiro, aceitar como sócio ou arrumar trabalho para alguém, antes que ele precise pedir caridade;
2) Fazer caridade com um pobre, onde ambos o doador e o destinatário não sabem a identidade um do outro;
3) O doador sabe quem é o destinatário, mas este não sabe quem é o doador;
4) O destinatário sabe quem é o doador, mas este não sabe para quem está doando;
5) O doador faz a caridade antes mesmo de lhe ser pedida;
6) O doador dá algo a um pobre depois de lhe ser pedido;
7) O doador dá menos do que deveria, mas o faz de uma maneira agradável e reconfortante;
8) O doador faz a caridade com avareza (ele sente incômodo neste ato, mas não o demonstra). Consta no Shulchán Aruch (O Código deLeis Judaico) (Yore Dea 249:3) que se a pessoa visivelmente demonstra desprezo, ela perde o mérito desta mitsvá.

Na época do Templo Sagrado

Na época do Templo Sagrado todo o povo deveria dar dez por cento de sua colheita para a Tribo de Levi, constituída pelos leviim e cohanim. Vamos explicar o por quê desta lei. A tribo de Levi foi escolhida para ser a representante do povo de Israel perante D’us. Assim sendo, ao invés de possuir um pedaço de terra e nela trabalhar, a Tribo de Levi trabalhava no Templo Sagrado, oferecendo os sacrifícios e as demais tarefas, em nome do povo judeu. O povo retribuía a tribo de Levi com o dízimo, e assim eles eram sustentados. Assim, na época do Templo Sagrado o dízimo era dado por todo o povo para a tribo de Levi.
Estes não receberam uma porção de terra para o cultivo, como as outras tribos, pois moravam na região do Templo em Jerusalém ou em cidades designadas para eles. Estas tribos, que tanto dedicavam-se em prol de Israel, eram sustentadas pelo povo. Os dízimos mencionados a seguir eram consumidos pelos Cohanim e Leviim e suas famílias.
Na época do Templo Sagrado, as oferendas, que representavam o maasser, eram retiradas da seguinte maneira:
1. Bikurim- as primeiras frutas da safra eram trazidas ao Cohen.
2. Terumá Guedolá- aproximadamente dois por cento da colheita era dada ao cohen.
3. Masser Rishon- o 'primeiro dízimo'- dez por cento do restante da colheita era dado ao Levi, que por sua vez retirava dez por cento e dava ao cohen.
4. Maasser Sheni- segundo dízimo- no primeiro, segundo, quarto, quinto e sétimo ano do ciclo sabático, o agricultor retirava dez por cento do restante da colheita e levava a Jerusalém, onde era comido ou redimido.
5. Maasser Ani- Dízimo do pobre- no terceiro e sexto ano no ciclo sabático, ao invés de levar-se o maasser sheni ao Templo Sagrado, este era dado aos pobres.
Há muitas outras leis relativas ao maasser (dízimo) inclusive relativas ao plantio e colheita da terra em Israel que vigoram até hoje, beneficiando viúvas, órfãos e necessitados. Leia, estude e consulte sempre um rabino.

Dar tsedacá:
Um presente Divino

O dízimo pode ser aplicado de várias maneiras. Uma das formas mais nobres é dando dinheiro para a caridade. No judaísmo existe a mitsvá, o preceito, de doarmos 10 % de nossa renda ou até mais para instituições e pessoas necessitadas, a nosso próprio critério. Procuramos entidades idôneas que sabemos com certeza que o dinheiro será todo aplicado em obras assistenciais, ajuda a pobres e necessitados, viúvas, órfãos, deficientes, idosos, custeio de estudos a estudantes carentes, e assim por diante.
A prática do dízimo é benéfica para qualquer pessoa, independente de sua religião. Líderes de todas as religiões devem estimular seus seguidores a adotar práticas de caridade e compatilhar aquilo que tem com os menos afortunados.
Em primeiro lugar, devemos doar aos necessitados da própria família. Depois, aos carentes de nossa cidade, instituições de caridade, sinagogas e outras instituições.
Na realidade, tanto a colheita, como a renda monetária de cada indivíduo é um presente Divino. A Torá não quer que nos esqueçamos disto. Por isso, instituiu que um décimo da colheita, ou da renda, fosse doada. Este é um lembrete de que na realidade nenhum bem material é nossa propriedade eterna, e temos de usar o que temos agora para o bem, e nunca pensar "amanhã", ou "talvez…". Pois este "talvez" pode também significar que "Talvez não estejamos mais aqui amanhã".
Que possamos abrir nossos corações, mentes e mãos diariamente para praticar atos de justiça e nos tornarmos hoje dignos de termos sido os fiéis depositários da confiança e eterna bondade Divina.

Ketubá: um Contrato Unilateral? Por Tzvi Freeman




Minha noiva e eu estamos cuidando de ketubot (contratos de casamento) para nosso casamento, que será em breve. Não sei ler aramaico, mas entendo que a tradicional ketubá judaica é sobre as obrigações do marido com sua esposa, mas não há nada ali sobre as obrigações da mulher. Por que o casamento judaico é tão unilateral?

Resposta:

Em primeiro lugar, mazal tov pelo seu noivado! Que o casamento crie um vínculo eterno e traga somente bênçãos, paz e harmonia ao mundo.
Sobre a ketubá: deixe-me explicar o que é e para que foi criada - e você entenderá o motivo para essa parcialidade. Não posso deixar de fornecer algumas dicas que podem ajudar em seu casamento que está chegando.
Como qualquer antropólogo poderá lhe dizer - e qualquer conselheiro matrimonial, além de sua avó também - homens e mulheres não entram num casamento da mesma maneira. Você não precisa de um diploma de biologia para dizer por que o comprometimento do homem com o casamento não tem o mesmo peso que o da mulher. Assim, pense na propaganda do jovem em má forma física colocando carinhosamente as mãos sobre seu abdômen inchado de cerveja com a legenda - “se eu fosse você, você seria mais cuidadoso.”
Uma mulher tem de ser mais cuidadosa. Onde o homem coloca uma ficha, ela coloca vinte. Ele tem tudo a ganhar; ela tem tudo a perder. Portanto, naturalmente, uma mulher entra no casamento buscando segurança e estabilidade para construir um lar e uma família - não para ser deixada de fora com aquela barriga inchada. Um homem entra num casamento como um conquistador assumindo território. Uma vez casado, não demora muito e ele já está procurando novo território para conquistar - no trabalho, no mundo e talvez também em outros locais…
Então, o que prende o homem para fornecer aquela segurança para a mulher? Que tal amor, paixão e toda a loucura que o Criador colocou dentro de nós para juntar homem e mulher? Não é amor tudo de que precisamos?
Há quinhentos anos, o mestre cabalista Rabi Moshê Cordovero escreveu palavras sobre paixão humana que ainda parecem estar anos-luz à nossa frente. A paixão de um homem por uma mulher, escreveu ele, não parte realmente da sua masculinidade. É um pedaço de mulher deixado para trás no homem quando eles foram divididos no Jardim do Éden. É por isso que, se ele usar aquela paixão para se gratificar, ela se virará contra ele e o destruirá. É quando chamamos de yetser hará - o mau impulso.
Mas, ele continua, nada que D'us criou é mau, exceto por intermédio dos atos do homem. Até o yetser hará, quando dirigido rumo ao seu verdadeiro objetivo, vai elevar a pessoa e seu mundo. E qual é o verdadeiro propósito dessas paixões? Levar o homem a embelezar a Shechiná (Divina Presença) e fazer para ela uma morada nesse mundo. Em outras palavras, se por causa dessa paixão ele construirá um lar para sua mulher, lhe dará afeição e lhe comprará joias - e se ele fizer tudo isso com a intenção de que ela representa a Shechiná, pois ela é a mãe da vida - então ele sublima suas paixões para se tornar semelhante a D'us.
“Portanto,” ele escreveu, “todos os prazeres que um homem recebe neste mundo deveriam ser apenas em prol de sua esposa.” Eis como as coisas deveriam ser: o amor junta o homem e a mulher. O casamento provê a segurança de que a mulher precisa. E o amor continua levando cada um a prover aquilo de que o outro necessita.
Mas isso tudo é quando as paixões são domadas e direcionadas. Quando uma mulher se rende incondicionalmente à paixão do homem, ela não ganha nada em troca. Não está fazendo a ele nenhum favor - ele está queimando um monte de borracha na estrada da vida, mas não está indo a lugar nenhum.
Sim, ouvimos incontáveis vezes que homem e mulher são duas metades de um todo que somente fica completo quando se juntam na união mística e sagrada do casamento. Mas essa não é uma receita de Duncan Hines. É algo que acontece quando ambos se esforçam para esquecer o próprio pequeno ego e descobrem o “outro” em seu relacionamento. Se deixados aos seus instintos básicos, ensinam nossos sábios, um homem e uma mulher são dois fogos no carvão, e opostos que queimarão um ao outro até virar cinzas.
Pense na linha do Gênesis que descreve a primeira mulher como “uma parceira contra ele”. Literalmente, isso significa que ela é uma parceira igual. Mas a estranha expressão levou nossos sábios a fornecer uma leitura mais profunda: “Se ele merecer, ela é uma parceira. Caso contrário, ela está contra ele para fazer guerra.” Então você tem: para o casamento ser sobre fazer amor, não guerra, os seres humanos precisam se elevar acima da natureza. Quando ao estado natural, instintivo da humanidade no mundo - ali o amor, guerram e uma vasta gama de patologias nadam juntas num único pântano malcheiroso. Como algo tão bonito como o amor pode destruir? O mestre chassídico Rabi Shneur Zalman de Liadi explicou que é porque o amor de um homem por uma mulher e o amor de uma mulher por um homem são dois opostos. O amor de um homem, ele disse, flui como a água, ao passo que o amor de uma mulher queima como o fogo.
Seu filho, Rabi DovBer, explicou: a paixão de um homem aumenta como água por trás de uma represa, desesperada para passar, e finalmente irrompe numa grande enchente. Mas depois que a enchente termina, a paixão se dissipa - até que o reservatório por trás da represa possa se encher novamente. As paixões de uma mulher seguem um padrão oposto. São como um fogo que deve ser aceso com pedaços de madeira, cuidado e abanado até ficar quente o bastante para pegar as toras de madeira, e somente então arde sozinho. Depois que o fogo sai dos seus limites, arde e arde, e nunca pode ser satisfeito - até que nada reste para ser queimado.
Dois opostos, totalmente fora de sincronia. A única solução, diz Rabi Shneur Zalman, é que os dois encontrem um vínculo mais profundo, algo além deles dois. Cada um deixa seu próprio minúsculo ser, e sente o que é ser como o outro. Então a mulher entende por que esse homem que tão apaixonadamente precisava dela ontem agora parece estar em outro mundo no qual ela mal existe. O balão estourou e precisa de tempo para se reencher.
E um homem entende que as paixões de uma mulher não podem ser acesas como uma lâmpada elétrica, pois são mais como uma fogueira que precisa de atenção para começar, e ainda mais cuidado quando as chamas começam a subir, e até um cuidado maior para não abandonar os carvões brilhantes.
Enquanto você está procurando aquele vínculo mais profundo, voltemos à ketubá. É um passo que os sábios deram para lidar com esse desequilíbrio e introduzir alguma paridade no relacionamento.
Como dissemos, a mulher quer segurança - por bons motivos. Aqui está algo que ainda não mencionei: um estudo feito pela Iniciativa da Paternidade Nacional encontrou uma forte correlação entre um relacionamento próximo com o pai e a violência adolescente. Outro estudo descobriu que a proximidade com o pai é um fator importante para reduzir o risco de abuso de drogas pelo adolescente - enquanto a proximidade com a mãe não tem qualquer impacto relacionado. Não é surpresa que a proximidade com o pai foi mais elevada em “famílias intactas”.
Portanto, mesmo se você é autossuficiente, se quer filhos saudáveis e bem ajustados, é melhor que haja um pai dedicado por perto.
Embora muitos homens sejam colocados como provedores, protetores e papais, não são necessariamente programados para fazer esse papel pela vida toda. À certa altura, o macho conquistador poderia apenas dizer: “Hora de cair fora desta gaiola e continuar com a vida.”
Aí entra a ketubá, um contrato de casamento que basicamente diz: “Aqui estão suas obrigações para com sua esposa enquanto você está casado, e aqui a penalidade que terá de pagar se quiser cair fora.” Quais são essas obrigações? Prover alimento, roupa, afeição e um lar, e cumprir todas as expectativas de um marido padrão, aquilo que a sociedade espera que você cumpra. Qual é a penalidade para o divórcio? Aquilo que a maioria dos homens vai sentir mais falta: muito dinheiro.
Veja, está longe de estar a salvo de falhas. Ainda exige muito trabalho, comprometimento e sacrifício por parte de cada membro dessa parceria. Portanto, pode chamar de uma peça do quebra-cabeças. Para nossos propósitos aqui, porém o importante é:
É por isso que a ketubá é desequilibrada: porque está ali para proteger as mulheres, não os homens. Em resumo, os sábios viram que as mulheres recebem o lado curto do bastão e entraram para fazer algo a respeito. Para meu conhecimento, as coisas não mudaram

Fonte:http://www.pt.chabad.org/